Cogumelo de Chernobyl ou filtro de gliter o apocalipse digital? Quem é você na vida.
- Gabriella Azevedo
- 10 de mar.
- 2 min de leitura

Como eu me sinto quando vejo o efeito manada digital e tô ali, observando de fora tentando entender o enredo: 🍄🥲
Todo mundo com o mesmo estilo de roupa, as mesmas marcas hypadas, ouvindo as mesmas músicas em looping, frequentando os mesmos lugares "instagramáveis", falando os mesmos jargões e criando conteúdo no piloto automático. É a cultura da viralização: tudo é pra internet. Tudo é pela internet. O tempo todo. Literalmente.
Enquanto isso, o feed vira um déjà vu de cópias. E aí, como uma boa amante de cogumelos, pedirei a licença poética para falar deles: os cogumelos de Chernobyl.
Da espécie Cladosporium sphaerospermum, encontrado em 2007 crescendo nos restos radioativos da usina de Chernobyl. Ele não apenas sobrevive naquele ambiente tóxico — ele se alimenta da radiação. Graças à melanina, absorve energia radioativa como se fosse fotossíntese reversa. Ganha força daquilo que seria mortal pra maioria. Impressionante, né? Esse seria o tipo do cogumelo que valeria ser chamado de mágico.
Nesse contexto, eu penso: enquanto todo mundo se contorce pra caber na próxima trend, a gente segue tentando se preservar da radiação mental. Porque vamos aos fatos:
✔️ Segundo a App Annie (Data.ai, 2023), o Brasil lidera o ranking global de tempo de uso de celular: são mais de 9 horas por dia em média.
✔️ E segundo a Kantar IBOPE Media (2024), 65% dos brasileiros consomem majoritariamente conteúdos de entretenimento leve, e só 11% buscam aprendizado ou estímulo intelectual nas redes.
Ou seja: um país que vive online, mas pensa cada vez menos. Socorro! O que exatamente a gente está consumindo mesmo?
Tenho saudades do tempo que ser diferente era cool, estiloso, autêntico. Acho que fiquei presa nessa época. Cadê o time da resistência? Que a força esteja conosco.
Continuo tentando não virar mais um filtro de glitter no apocalipse digital. 🧟♀️ Espero que quem fique aqui compartilhe da mesma loucura (ou sanidade?).
Câmbio, desligo.




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