"Era só uma brincadeira" disseram eles.
- Gabriella Azevedo
- 20 de mar.
- 1 min de leitura
"Era só uma brincadeira"
A boa e velha frase ofensiva disfarçada de piada. Quem nunca?

Na infância, o que mais ouvi foi ridicularização e agressão verbal (quando não eram físicas), pelo simples fato de ser diferente. Na época chamavam de “brincadeira”, mas depois entendi que era bullying escrachado mesmo.
Essa foto traduz minha vida. Minha mãe capturou na essência a cara de: “eu sou uma piada para você?”. Cresci em ambientes tão tóxicos que, em certo momento, precisei acreditar que não era a única passando por isso. Essa crença teve um efeito cascata surreal, então, aos 20 anos criei o projeto "Quebre o Silêncio", reunindo uma centena de pessoas em Maceió para falarmos sobre nossas diferenças. E olha, tinha MUITA gente sofrendo calada.
Da pessoa com vitiligo e psoríase ao colega com esquizofrenia. Do homem que enfrentou gordofobia ao grupo de endometriose que carregava cicatrizes de negligência médica. Foi no desprazer das dores que encontramos valor (e calor humano).
Sempre repeti: "Se o preconceito é uma doença, o conhecimento é a cura". E sigo acreditando. Afinal, quando alguém fala asneira sobre algo relevante, quase sempre é por falta de vivência ou profundidade. Mas aprendi que cada um transborda para o mundo a sua própria história, e isso explica muita coisa.
A autenticidade tem seu preço, mas é extraordinário e libertador ser quem se é. E, no fim das contas, é no des-prazer de ser diferente que mora a graça… e a força de ser único.
Tem dúvidas? Olha no espelho. Aprecie o reflexo e lembre, é tão irado que não existe NINGUÉM NO MUNDO igual a mim. ❤️




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