O simbolismo da "bolsa cara".
- Gabriella Azevedo
- 20 de mar.
- 2 min de leitura
Chega um período da vida que o mundo parece que me força a viver mudanças. A virar a chave. Algumas vezes ela vem sorrateira, outras a fórceps. Quando esse movimento se inicia, normalmente eu começava cortando o cabelo. Porquê? Não sei. Mas era assim.
Cansei do de sempre. O óbvio começou a ser frequentemente questionado.

Desde jovem minha irmã me falava "você precisa se vestir como a empresária de sucesso que você é", e eu pensava: cara, não viaja. E ela reforçava: você atraí aquilo que você quer pra teu futuro. E hoje ouvindo a frase, digo que deveria ter entendido este conceito a mais tempo.
Nunca tive muita vaidade, mas na fila da autenticidade, passei duas vezes. Modéstia parte, nunca gostei de ser mais uma. Apesar de ser publicitária por formação primária, já estudei várias coisas, entre elas, entendi as entrelinhas (e a semiótica) das marcas, principalmente, as de luxo e desejo. Tem sua magia na exclusividade (e também o preço da exclusão).
Desde 2020 trabalho em casa, e o conforto do homeoffice não coube na mesma frase com a palavra vaidade. Sendo assim, a "empresária de sucesso" foi negligenciada. Mas, na simplicidade, morava o desejo de uma "bolsa cara". Só nunca fez sentido antes já que, pra onde mesmo eu iria com ela?
Agora, em uma nova fase - quisá uma das mais importantes que tenho vivido em toda minha carreira - começo a me colocar em lugares que antes parecia tão distantes. E tomo as rédeas para falar que a bagagem que eu carreguei até aqui não cabe mais em lugares convencionais. A mãe agora vai sair do seu armário... digo, de casa. Estou pronta!
Talvez este não fosse o melhor momento financeiro para extravagâncias, mas é o momento certo para exaltar o marco.
Que eu possa olhar e dar valor ao que tem escrito nas entrelinhas desta bolsa e do cabelo longo. Que tudo tem o momento certo e o preço da escolha. Cortar as pontas também faz parte do processo, pois é assim que você cresce mais saudável, forte e brilhante. E não precisa ser brusco.
Aqui fica a memória para quando eu achar que é impossível. Lembre do clichê: não sabendo que era impossível, ela foi lá e fez.
Isto não é sobre bolsas.
Câmbio, desligo.




Comentários