Família: Episódio o jogo da memória
- Gabriella Azevedo
- 20 de mar.
- 2 min de leitura
Hoje estava vendo a galeria do telefone e achei essas fotos. Eu e meu tio de 83 anos, jogando jogo da memória. Me lembrei que nessas partidas eu perdi duas vezes. Meu espírito competitivo se sentiu surpreso, pois subestimei meu tio pela idade.
Aprendizado: não subestime a capacidade intelectual - e a memória - de absolutamente ninguém.

O poder do teletransporte que uma foto trás é muito mágico. Que carga de memórias maravilhosa no cérebro e no coração! Ainda, me peguei pensando o quanto eu tenho medo de esquecer as coisas que aprendi. De ficar "enferrujada" demais para coisas primárias. De não saber como acessar minhas memórias antigas.
O conhecimento, lembranças e tudo que habita meu palácio da mente me parece tão precioso que me subiu um alerta depois desse dia. Ainda que em constante reforma, esse palácio aqui foi arquitetado de uma forma que até Sherlock iria ficar orgulhoso (eu acho). Parece um assunto até óbvio e clichê, mas nunca tinha parado pra pensar nisso a fundo.

Meu pai morreu com Alzheimer e eu rezava todos os dias para ele não esquecer de mim, e ele nunca esqueceu. Porém, segui questionando até hoje como as pessoas conseguem lidar com uma doença como essa. A questão não era só sobre ele, era também sobre mim (quem sabe um dia fale melhor sobre isso por aqui).
Na ausência do meu pai, meu tio assumiu esse papel. E a senioridade é uma eterna escola. Adoro lidar com idosos porque sempre me sinto aprendendo demais!
Seguindo a linha do raciocínio... meu pai tinha o hábito de anotar tudo e apesar de ser muito inteligente e amar tecnologias, me lembrei também o quanto ele era analógico. Do relógio de ponteiros, às anotações da mesa. Padrões de organização de documentos, formas de cumprir agendas, os modelos de apresentações e as cartas de aniversários. Ele sempre foi muito à frente do tempo. Adorava pegar entulhos e criar coisas. Fazer arte com madeiras, abajur com restos de coisas jogadas pela casa. Analisando hoje, ele era um gênio!
Meu tio me fez reviver tudo isso, com a memória de um jogo da memória. E me reconectei bastante nesse sentimento e nessa necessidade do analógico, no poder do rabisco de quando se fala ao telefone.
É precioso.
Câmbio, desligo.




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